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10 indicações de filmes com reflexões sobre a área médica

Keira Knightley e Michael Fasbender em “Um Método Perigoso”

UM MÉTODO PERIGOSO (2011)

O longa faz um breve recorte da relação entre Carl Jung (Michael Fassbender) e Sigmund Freud (Viggo Mortensen), levando o espectador aos primórdios da psicanálise, que também é abordada a partir da intensa e polêmica relação da dupla com a paciente Sabina Spielrein. Ao abordar as fronteiras da relação médico-paciente, com foco na psicanálise, “Um Método Perigoso” é um interessante filme de cunho histórico para quem se interessa pelo estudo e tratamento das complexidades da mente, das emoções e da alma. Outros dois filmes sobre o mesmo tema da relação entre Freud, Jung e Sabina Spielrein são “Jornada da Alma” e o documentário “My Name Was Sabina Spielrein”.

MAR ADENTRO (2004)

Médicos lidam diariamente com a preservação da vida, mas até que ponto eles podem fazer decisões em nome de um paciente? Qual o papel e a responsabilidade de uma instituição médica na vida de uma pessoa? É partindo dessas questões que o drama espanhol “Mar Adentro” conta a história de Ramón Sampedro (Javier Bardem), um homem que se tornou tetraplégico após um acidente e que decide lutar na justiça pelo direito de decidir sobre o fim de sua própria vida, o que lhe gera problemas com a igreja, com a sociedade e até mesmo com seus familiares. Vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro, o longa discute um tema polêmico como a eutanásia com muita delicadeza, tendo como foco a condição humana do paciente e toda a gama de complexidades que envolvem o poder de decisão que temos sobre as nossas próprias vidas (e também sobre o nosso próprio sofrimento).

VOCÊ NÃO CONHECE O JACK (2010)

Em “Você Não Conhece o Jack”, Al Pacino vive Jack Kevorkian, médico que sempre defendeu os direitos do ser humano em relação à decisão da própria morte. Apoiado por um amigo e pela irmã, ele passa a auxiliar em mais de uma centena de suicídios assistidos e relacionados a casos terminais, o que lhe rendeu o apelido de “Dr. Morte”. É interessante fazer uma dobradinha de “Você Não Conhece o Jack” com o drama “Mar Adentro” porque, apesar de os dois filmes adotarem um discurso pró-eutanásia, as histórias são centradas em lados bem diferentes de uma mesma tese. Vale a pena conferir os dois longas para entender a perspectiva tanto do médico quanto do paciente e o quanto a eutanásia segue reverberando de forma tumultuada para ambos.

“O Jardineiro Fiel” rendeu a Rachel Weisz o Oscar de melhor atriz coadjuvante.

O JARDINEIRO FIEL (2005)

Primeiro longa-metragem do brasileiro Fernando Meirelles no exterior, “O Jardineiro Fiel” levantou, em 2005, uma grande provocação: afinal, quanto vale a vida humana para uma indústria que movimenta bilhões de dólares? Colocando o espectador no centro dessa reflexão, o filme começa com a história da ativista Tessa Quayle (Rachel Weisz), que decide investigar os procedimentos suspeitos de uma empresa farmacêutica que vem testando medicamentos contra a tuberculose em uma miserável comunidade do Quênia. O filme rende uma série de discussões relacionadas ao implacável corporativismo de indústrias médicas e farmacêuticas. Mais do que o questionamento sobre o valor de uma vida, o fato do filme nos levar até o Quênia desperta ainda muitas reflexões sobre a desassistência à saúde que assola populações frequentemente exploradas de maneira irresponsável por países mais desenvolvidos.

UMA LIÇÃO DE VIDA (2001)

Encomendado e exibido originalmente pela HBO, o filme reúne o diretor Mike Nichols e a premiada atriz britânica Emma Thomspon para contar a história de Vivian Bearing, uma professora universitária que leciona poesia inglesa e descobre ter um câncer de ovário em estágio avançado. Da perspectiva médica, o filme registra as transformações físicas e emocionais que todo ser humano atravessa quando precisa passar por tratamentos radicais e repletos de efeitos colaterais. Durante sua temporada no hospital, Vivian, que é uma mulher solitária, também passa a cultivar uma amizade com a enfermeira-chefe da sua unidade tratamento, a única profissional da área que a trata com proximidade e calor humano. “Uma Lição de Vida” é um filme doloroso porque encena os avanços de um câncer de forma crua, mas a análise extremamente humana que ele faz de um momento crucial e diário dentro dos hospitais é poderosa.

ADAM (2009)

Propondo um olhar delicado sobre as complexidades da Síndrome de Asperger, o drama “Adam” busca retratar as dificuldades e as conquistas de quem vive com a síndrome a partir da vida de um garoto comum, que acaba de perder o pai e começa a se relacionar com uma vizinha. O longa não deixa de tratar esses aspectos da síndrome com um tom mais didático, promovendo várias exposições sobre o comportamento e as limitações trazidas pela doença, mas, ao mesmo tempo, o roteiro é muito delicado e humano ao iluminar as vitórias diárias do protagonista e, principalmente, a compreensão e a sensibilidade como fatores decisivos para as pessoas que lutam diariamente contra suas próprias limitações.

“120 Batimentos Por Minuto” ganhou o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes.

120 BATIMENTOS POR MINUTO (2017)

Premiado internacionalmente, “120 Batimentos Por Minuto” fala sobre a AIDS a partir dos movimentos que reivindicam do poder público melhores condições, pesquisas e tratamentos para os pacientes, além de políticas de prevenção junto aos jovens e a sociedade como um todo. O foco do filme é a França dos anos 1990, quando o grupo ativista Act Up intensifica, através de protestos e intervenções, seus esforços para que a sociedade reconheça a importância da prevenção. Junto à história do grupo, acompanhamos também a jornada pessoal e afetiva de alguns integrantes do Act Up. O mais interessante é que o filme escapa dos tradicionais formatos de obras sobre a descoberta e o tratamento de doenças, preferindo falar sobre questões muito mais amplas, como o fato da imprensa, dos governantes e de grandes laboratórios e hospitais também desempenharem papeis cruciais na construção de políticas para prevenção e tratamento de enfermidades.

AS SESSÕES (2012)

Registra a história verídica de Mark O’Brien, poeta norte-americano que se tornou uma das principais vozes pelos direitos das pessoas com deficiência nos EUA. Aos seis anos, Mark contraiu poliomielite, doença que o deixou imobilizado do pescoço para baixo. Mesmo com essa condição, ele nunca deixou de trabalhar e, aos 40 anos, decidiu finalmente procurar uma terapeuta sexual que pudesse lhe proporcionar experiências físicas e sexuais que nunca teve, nem mesmo por meio da masturbação. É tocante e delicada a maneira com que “As Sessões” explora a relação que pessoas com deficiência estabelecem (ou precisam estabelecer) com seus próprios corpos. No paralelo que traça entre o físico e o emocional, o longa retrata a compreensão, a troca e a falta de preconceitos como fatores cruciais no convívio com todo tipo de paciente.

O DESPERTAR DE UMA PAIXÃO (2006)

Com esse filme, descobrimos um pouco sobre a medicina através de uma história de amor, onde o diretor Ron Nyswaner nos convida a acompanhar o trabalho verídico do dr. Walter Fane (Edward Norton) contra uma epidemia de cólera em um vilarejo da China no final da década de 1820. A história central é a reconstrução do abalado relacionamento entre o dr. Fane e a sua esposa Kitty (Naomi Watts), mas o que também se destaca em “O Despertar de Uma Paixão” é como o filme captura um momento muito específico do trabalho da medicina a partir de uma cultura que, para nós, ocidentais, parece tão diferente e distante. E o bacana é que, além das lindas paisagens chinesas, o filme, no final das contas, nos mostra que, seja no Brasil ou na China, a medicina é, antes de tudo, uma vocação universal.

LONGE DELA (2006)

É um drama que foge à regra dos filmes que se preocupam apenas em mostrar a descoberta e a evolução de uma doença, mas não necessariamente as complexidades dos seres humanos que convivem com uma enfermidade. Dirigido por Sarah Polley, o longa pode até ser protagonizado por uma mulher que descobre ter Mal de Alzheimer. No entanto, a história utiliza a doença apenas como ponto de partida para descobrirmos todo o universo muito particular de dois personagens que, depois de 40 anos casados, já não se reconhecem mais e precisam seguir a vida de diferentes maneiras. Adaptado de um conto escrito pela autora canadense Alice Munro, “Longe Dela” traz a premiada Julie Christie como a esposa que, tanto conscientemente quanto afetada pela doença, aos poucos se afasta do marido para poupá-lo do inevitável sofrimento que o Mal de Alzheimer pode trazer.

Postado em 17 de dezembro, 2019 | Blog | Nenhum comentário
Aula de inglês para estudantes de medicina acontece na próxima segunda

Na próxima segunda-feira (3), acontece mais uma aula experimental de inglês para jovens médicos. O curso é destinado aos acadêmicos que planejam ingressar em estágios, residências médicas ou fellowships no exterior e que procuram aprimorar seu inglês médico.

Com entrada franca e vagas limitadas, a aula contará com diversas atividades entre discussões e apresentações de casos clínicos e palestras. Para mais informações e inscrições entre em contato pelo e-mail judithvscliar@gmail.com ou pelo telefone (51) 3331-5423.

Confira a programação:

  • Discussão de um caso clínico (anamnese, exame físico, hipóteses diagnósticas, elaboração do prontuário).
  • Apresentação de um caso clínico por parte de um residente da Medical School da NYU (New York University).
  • Palestra sobre Congestive Heart Failure (médico americano, em vídeo).
Postado em 28 de março, 2017 | Blog | Nenhum comentário
Inglês médico: workshops gratuitos ocorrem em março, em Porto Alegre

Estudantes de medicina e residentes já podem se inscrever em três workshops gratuitos que ocorrem em março, em Porto Alegre, e que introduzem uma série de vocabulários, expressões e conteúdos específicos do inglês médico. As aulas serão ministradas pela professora Judith Scliar, especialista em educação e com mais de 30 anos de experiência na docência de inglês médico.

O primeiro encontro ocorre no dia 13 de março, às 20h. Nesse dia, serão realizadas uma discussão de caso clínico (anamnese, exame físico, hipóteses diagnósticas e elaboração do prontuário), apresentação de caso clínico por um residente da Medical School da New York University e palestra em vídeo com médico americano sobre Congestive Heart Failure.

Já no dia 15 de março, às 18h, o encontro é destinado a estudantes que estão iniciando no curso de Medicina. Na aula, serão realizadas discussões de casos clínicos, palestra em vídeo sobre insuficiência cardíaca e apresentação de uma consulta médica.

O terceiro workshop ocorre no dia 20 de março, às 20h, quando será realizado um teste simulado do USMLE (United States Medical Licensing Examination). A atividade será coordenada pelo Dr. Márcio Chedid, cirurgião geral e oncológico. Para essa atividade, os interessados devem ter, no mínimo, nível intermediário de inglês.

Os encontros não possuem dependência entre si, podendo ser participados separadamente. As inscrições devem ser feitas pelo e-mail judithvscliar@gmail.com ou telefone (51) 3331.5423. Outras informações estão disponíveis no site www.judithscliar.com.

Postado em 8 de março, 2017 | Blog | Nenhum comentário
O Estudo Tuskegee sobre a sífilis (1932-1972)

 

O Estudo da Sífilis Não-Tratada de Tuskegee foi um ensaio clínico levado a cabo pelo Serviço Público de Saúde dos Estados Unidos em Tuskegee, Alabama entre 1932 e 1972, no qual 399 sifilíticos afro-americanos pobres e analfabetos, e mais 201 indivíduos saudáveis para comparação, foram usados como cobaias na observação da progressão natural da sífilis sem medicamentos. Esta foi um dos mais lamentáveis episódios da História da Medicina dos Estados Unidos.

Não foi dito aos participantes do estudo de Tuskegee que eles tinham sífilis, nem dos efeitos desta patologia, e eles não deram consentimento informado, tendo-lhes sido dito que tinham “mau sangue” e que se participassem receberiam tratamento médico gratuito, transporte para a clínica, refeições e a cobertura das despesas de funeral. Não podemos também deixar de lado o fato de que os voluntários eram uma fácil disponibilidade e suscetibilidade a manipulação, principalmente se levarmos em conta a situação financeira deles juntamente com os benefícios.

“O Estudo de Tuskegee não tinha relação com tratamento. Não foram testadas novas drogas, nem foi feito qualquer esforço para estabelecer a eficácia das velhas formas de tratamento. Foi uma experiência não terapêutica com o objetivo de compilar dados sobre os efeitos da evolução espontânea da sífilis em homens negros. O grau dos riscos tomados com as vidas dos sujeitos envolvidos torna-se mais claro quando alguns fatos básicos da doença são conhecidos” (JONES, 1993: 2).

A partir da década de 50 já havia terapêutica estabelecida para o tratamento de sífilis, mesmo assim, todos os indivíduos incluídos no estudo foram mantidos sem tratamento. Todas as instituições de saúde dos EUA receberam uma lista com o nome dos participantes com o objetivo de evitar que qualquer um deles, mesmo em outra localidade recebesse tratamento.

Foram escritos 13 artigos científicos sobre o estudo, os mais importantes foram os de 1936, 1952 e 1961, e em todos era explícito o não tratamento, por vezes os artigos geraram polêmica, mas esta logo foi superada, mostrando que a história ideológica era muito presente mesmo no mundo acadêmico.

Quando o estudo chegou ao fim, apenas 74 dos pacientes da que participavam da experiência estavam vivos; 25 tinham morrido diretamente de sífilis; 100 morreram de complicações relacionadas com a doença; 40 das esposas dos pacientes tinham sido infectadas; e 19 das suas crianças tinham nascido com sífilis congênita.
A denúncia do caso à imprensa por um membro da equipe ditou o fim do estudo. Como repercussão deste caso, vários institutos de ética médica e humana foram criados. Foram, também, criados programas governamentais e atribuídas indemnizações para os descendentes e alguns sobreviventes da experiência.

Muitas pessoas contraíram sífilis ao longo do estudo, bem como muitos recém-nascidos, e os EUA pagaram mais de dez milhões de dólares em indenizações para mais de 6.000 pessoas, mas somente em 16 de maio de 1997 o Presidente Bill Clinton pediu desculpas formais para os cinco sobreviventes que compareceram à solenidade na Casa Branca.

Postado em 20 de junho, 2016 | Blog | Nenhum comentário
História da Vacina

A história da vacina se inicia há mais de mil anos no Continente Asiático, onde os chineses, haviam desenvolvido a Variolização, que era o contato das secreções de pústulas de indivíduos infectados para indivíduos sãos, para induzir quadros leves da doença. Não era um método sem riscos, com taxas de letalidade de 1% a 2%, contra cerca de 30% da doença natural, que se propagou pelo continente asiático e africano, chegando a Europa no início do século XVIII.

EDWARD JENNER, um médico inglês, nascido em Glouscesteshire (1749-1823) observou que um número expressivo de pessoas mostrava-se imune à varíola. Todas eram ordenhadoras e tinham se contaminado com cowpox, uma doença do gado semelhante à varíola, pela formação de pústulas, mas que não causava a morte dos animais. Após uma série de experiências, constatou que estes indivíduos mantinham-se refratários à varíola, mesmo quando inoculados com o vírus.

Em 14 de maio de 1796, Jenner inoculou James Phipps, um menino de 8 anos, com o pus retirado de uma pústula de Sarah Nelmes, uma ordenhadora que sofria de cowpox. O garoto contraiu uma infecção extremamente benigna e, dez dias depois, estava recuperado. Meses depois, Jenner inoculava Phipps com pus varioloso. O menino não adoeceu. Era a descoberta da vacina. E como eram as ordenhadeiras que desenvolviam cowpox e não adoeciam, daí resultou o nome do latim: vaccínia.

A partir de então, Jenner começou a imunizar crianças, com material retirado diretamente das pústulas dos animais e passado braço a braço. Amostragens chegaram ao Brasil em torno de 1840, trazidas pelo Barão de Barbacena, sendo utilizadas principalmente na proteção de famílias nobres. Posteriormente, o cirurgião Barão de Pedro Afonso, criou um Instituto privado para o preparo de vacina anti-variólica no país, sendo mais tarde encarregado pelo governo de estabelecer o Instituto Municipal Soroterápico no Rio de Janeiro, posteriormente, Instituto Oswaldo Cruz.

Mas a Vacina não foi muito bem aceita no Brasil, e em 1904, estourou a “Revolta da Vacina”, na então capital Rio de Janeiro, que passava por um período conturbado pela crise econômica e sanitária, com um Sistema de Saneamento básico falho, que repercutia em frequentes epidemias de febre amarela, peste bubônica e varíola.

O médico e sanitarista Oswaldo Cruz foi designado pelo presidente para ser o chefe do Departamento Nacional de Saúde Pública, com o objetivo de melhorar as condições sanitárias da cidade.

A vacinação contra a Varíola era obrigatória e mesmo seu objetivo sendo positivo, foi aplicada de forma autoritária e violenta, com agentes sanitários invadindo casas, ocasionando destruição de bondes e apedrejamento de edificações públicas, e culminaram com a Revogação da Lei da Vacinação Obrigatória, em 16 de Novembro de 1904, pelo presidente Rodrigues Alves.

Postado em 9 de junho, 2016 | Blog | Nenhum comentário

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